domingo, 13 de abril de 2008

A progressão do rock

O Rock Progressivo é um estilo de música eclético e ambicioso. Seus artistas sempre buscaram romper as barreiras convencionais da música pop. A idéia era ‘progredir’ o rock n’roll convencional até um ponto em que ele se tornasse sofisticado como o jazz ou a música clássica. Por isso, muitos especialistas julgam o gênero como pretensioso e pomposo. Mas foi uma banda canadense que conseguiu unir a complexidade e a sonoridade de maneira perfeita.

O Rush foi formado no ano de 1968 em Sarnia, Ontário. Quem reuniu a primeira e a atual formação foi o baixista/tecladista/vocalista Geddy Lee, frontman da banda, que ainda hoje é ativa. Desde o ano de sua criação, Geddy e Alex Lifeson (guitarrista), colegas de escola, tocam juntos. Curiosamente, o nome Rush foi criado pelo irmão do primeiro baterista, John Rutsey, que se desentendeu com os demais integrantes e deu lugar a Neil Peart, também letrista, em 1974.

A banda é conhecida pela virtuosidade de seus três membros, muito habilidosos em seus respectivos instrumentos. Suas composições complexas, incluindo diversos jogos de ritmos e tonalidades são o carro-chefe da banda até hoje. No decorrer de seus 40 anos, o grupo recebeu diversos tipos de prêmios, incluindo a entrada no Canadian Music Hall of Fame, quatro nomeações ao Grammy, 14 discos de platina e 23 de ouro.

Seu primeiro cd, homônimo, foi lançado em 1974 sem o apoio de nenhuma gravadora. A repercussão nas rádios norte-americanas foi tamanha que a banda foi convidada para abrir os shows de diversas bandas que estavam no topo, na época. A gravadora Mercury relançou o álbum e deu início a suas primeiras turnês. Seu último e 31º disco, Snakes & Arrows, é de 2007.

Rush - YYZ (música feita com o código-morse do Aeroporto Internacional de Toronto)


sexta-feira, 11 de abril de 2008

Beatles is all we need


No meu post anterior, eu escrevi sobre um filme organizado pelos Rolling Stones, lançado em dezembro de 1968. Agora eu volto um pouco mais no tempo para relembrar um compacto dos Beatles. Estou falando do Magical Mystery Tour, álbum lançado em novembro de 67 nos EUA e utilizado como trilha sonora de um filme homônimo, apresentado ao público um mês depois da divulgação do LP.

O disco é sem dúvida um dos melhores da banda. A obra presenteia o público com músicas inéditas, como Hello Goodbye e I am the Walrus, e traz regravações de canções clássicas do grupo, é o caso de Penny Lane e Strawberry Fields Forever. Em Magical Mystery Tour encontramos também a famosa música All you need is love. Contudo, a canção já era conhecida pelo público, pois foi divulgada no dia 25 de junho de 1967, na primeira produção transmitida ao vivo via satélite, realizada pelo programa Our World. A transmissão foi feita para 26 países e atingiu 350 milhões de espectadores. Trata-se de uma obra indispensável não apenas para os fãs do conjunto, mas para os apreciadores de uma boa música.

Apesar do sucesso tanto do compacto quanto do filme, o momento psicológico da banda era delicado. Brian Epstein, empresário do grupo, foi encontrado morto em seu quarto, vítima de overdose, aos 32 anos. Após a morte de Brian, os Beatles decidiram por seguir o projeto do Magical Mystery Tour, dando seqüência ao rumo do conjunto.

Bom, o papo está muito bom, mas ainda não existe forma mais eficaz e agradável de entender Beatles do que ouví-los. Separei duas músicas do compacto em questão, uma de cada lado do LP. A primeira é I am the Walrus, composta por Joh Lennon. Gosto da música por ser tão confusa quanto agradável. A segunda canção é All you need is love, que não poderia faltar. O video encontrado aqui é o da apresentação no programa Our World. Aproveitem ...



I am the Walrus



All you need is love

Os melhores clipes dos anos 90

A MTV estreou nos EUA em 1981 e no Brasil em 1990 com a proposta de ter uma programação totalmente voltada à música. Os anos oitenta foram praticamente só desgraça em termos de clipes, mas na década seguinte algumas bandas (não por acaso as mais importantes da época) passaram a utilizar o vídeo não só para promover seus discos, mas também para fazer arte. Do flerte adolescente de “Dirty Boots” à auto-amputação de “Paranoid Android”, alguns dos clipes mais legais dos anos 90:



Sonic Youth - "Dirty Boots"



Smashing Pumpkins - "Thirty-Three"



Nirvana - "Heart-shaped Box"



Radiohead - "Paranoid Android"



Beck - "Sexx Laws"

Esqueci de algum????

terça-feira, 8 de abril de 2008

The New Yardbirds, aka Led Zeppelin



O ano era 1968, e a seminal banda de blues-rock Yardbirds tinha seus dias contados. O grupo que já teve em seu elenco Jimmy Page no contra-baixo e Eric Clapton e Jeff Beck dividindo as guitarras, havia se separado por não agüentar mais a estressante rotina de gravações e turnês.

Jimmy Page já tinha saído do baixo em 1966 para assumir as seis cordas ao lado do grande Jeff Beck e não queria acabar dessa forma uma história que fizera tanto sucesso em toda a Europa. Conseguiu, então, de seus antigos companheiros o direito de levar o nome Yardbirds.

Entre os anos de 66 e 68, vários músicos de renome, como Keith Moon e John Entwistle, do The Who, passaram pelo Yardbirds, mas apenas como uma forma de “quebra-galho”, até que em 1968, Jimmy Page sai em uma quase cruzada pela Inglaterra em busca de novos músicos.

Convidou seu antigo companheiro de trabalho, o tecladista e baixista John Paul Jones e o jovem vocalista de West Bromwich, Robert Plant, que chamava atenção por sua voz afeminada e seu jeito único de interpretar os clássicos da música negra americana.

Para assumir a bateria, Plant indicou um baterista de uma cidade vizinha, o lendário John Bonham, que apesar de jovem era bastante conhecido nos pubs ingleses.

Estava pronto o set do novo Yardbirds, que inevitavelmente mudou o nome para The New Yardbirds. Porém, a lenda diz que quando Keith Moon, baterista do The Who, ouviu a banda ensaiando pela primeira vez, disse que o som deles lembrava um zepelim de chumbo (lead zeppelin), que automaticamente virou o nome da banda, mas o a de lead foi tirado, para que os diferentes sotaques não transformassem a banda em “ Lid” Zeppelin. Nascia assim o Led Zeppelin, a inquestionável mais importante banda de rock n roll da história.

Logo abaixo está o áudio de um dos primeiros shows do Led Zeppelin com sua formação formalmente pronta (tanto os integrantes, quanto o nome) e já com contrato assinado com a Atlantic Records.
O show foi em 30 de dezembro de 1968 em Spokane, Washington, e a música é Dazed and Confused. Divirtam-se.


segunda-feira, 7 de abril de 2008

De volta ao Brasil



Os jamaicanos do The Skatalites, banda que fundou o ska, ritmo que mais tarde daria origem ao reggae, fazem hoje no Inferno Club, em São Paulo, o primeiro show de uma série de apresentações no Brasil. Eles tocam na capital paulista hoje e amanhã (7 e 8 de abril). Depois vão a Curitiba (dia 10) e Brasília (dia 12).

No ano passado eles estiveram por aqui. Fizeram três shows no Sesc Pompéia em maio e levaram o público ao delírio. Na primeira das apresentações, no teatro de arena do Sesc, foi gravado um DVD que será lançado hoje. Só pelo trailer já dá pra ver que coisa boa vem por aí:




A banda:
O surgimento do Ska coincidiu com o período da independência Jamaicana, em 1962. O momento de euforia vivido no país fez com que nos anos seguintes a tal acontecimento despontassem grandes nomes da música da ex-colônia britânica, como Don Drummond (ex-trombonista e um dos fundadores do Skatalites), Alton Ellis, Ken Boothe, Phyllis Dillon, Toots and the Maytals, entre outros. Nomes que mais tarde ganhariam peso, fãs e fama na antiga metrópole e no resto do mundo.

Eles aprenderam a tocar juntos, no orfanato Alpha Boys School, em Kingston, capital jamaicana, em 1963. Criaram o seu estilo próprio (o ska) e influenciaram diversos músicos da ilha. O exemplo de um aprendiz que ganhou fama é o cultuado Bob Marley. Desde então tiveram diversas formações, ficaram um bom tempo sepadardos e focados em suas carreiras solo de sucesso e desde 1984 voltaram a tocar e não pararam mais. Da formação original, estarão presentes no show de hoje o saxofonista Lester Sterling, a vocalista Doreen Shaffer e o baterista Lloyd Knibb. Mas saber que não são os Skatalites origniais não é má notícia, uma vez que os integrantes atuais são músicos experientes e prestigiados pelos fãs do ska. Um verdadeiro "Dream Team". O destaque fica para o retorno do sax tenor Cedric "IM" Brooks, que estava morando na Etiópia e não esteve no Brasil ano passado.
Em 44 anos de banda, o Skatalites já concorreu a dois prêmios Grammy por melhor disco de Reggae, em 1995 ( Hi Bop Ska) e em 1996 (Greetings from Skamania).
Em 2007 eles lançaram o disco On the Right Track e gravaram com Ben Harper a faixa Be my Gest para o cd Going Home, cujos fundos são destinados a vítimas do Furacão Katrina.

Portanto, se gosta de boa música, principalmente instrumental, com toques de jazz, blues e ritmos caribenhos, não perca. Não se sabe se ano que vem teremos a sorte de vê-los de novo.

Na tarde de hoje ainda há ingressos disponíveis para as duas apresentações.

Informações:

The Skatalites

7 e 8 de abril
Abertura:
FirebugDJs: Y&M (7/4) e Babylon (8/4)

Local: Inferno Club, Rua Augusta, 501, Consolação.
Onde Comprar:
Por R$50,00 - Colex (24 de Maio, 116 - Lj. 33)
Por R$ 70, 00 - Trezeta Musik (Augusta, 2203 - Lj. 7) e Estrondo (24 de Maio, 62 - Lj. 342)
Por R$100,00 - Na porta

Hotsite do show, onde é possível ouvir alguns dos sons que deverão estar na setlist dos shows. Alguns deles são as excelentes Latin Goes Ska, Guns of Navarone e Phoenix City.

Se você for, nos vemos lá.
Se não, amanhã postarei aqui um comentário sobre o show.
Até mais!

sábado, 5 de abril de 2008

Respeitável Público


Esqueça os palhaços, os trapezistas e os mágicos. Circo tem que ter é música. Pelo menos é o que achava a banda Rolling Stones quando organizou um concerto em dezembro de 1968. Durante os dias 11 e 12 daquele mês, a banda se juntou à artistas como Eric Clapton, The Who, Taj Mahal, Marianne Faithfull, Jethro Tull, Jimi Hendrix e John Lennon para realizar um “show” com doze músicas imperdíveis não apenas para quem gosta desses músicos, mas para todos que apreciam o espírito único da época, momento em que os arranjos melosos abriam espaço para os solos diferenciados da guitarra. Foi o The Rolling Stones Rock and Roll Circus.

O interessante é que apesar de ter sido gravado há 40 anos, o público só teve acesso ao material em 1996. Isso porque Mick Jagger ficou desapontado com o resultado final. O problema é que o concerto foi longo, teve início ás 14:00 do dia 11 e terminou ás 5:00 da manhã do dia seguinte. Mick Jagger era o único que permanecia pulando ao término da última canção. Resolveu-se então não lançar o programa na tv, algo originalmente previsto pela BBC, e só foi divulgado quase 30 anos depois.

Bom, é verdade que nem todas as músicas apresentadas no espetáculo são memoráveis. A participação de Yoko cantando Whole Lotta Yoko, por exemplo, é totalmente dispensável. Mas o simples fato de podemos ouvir esses ícones reunidos já é motivo de apreciá-lo. Sobretudo quando nos deparamos com grandes apresentações, caso da banda The Who quando tocaram a música A Quick One While He’s Away.

Abaixo, você encontra o vídeo do ponto alto do concerto. Uma apresentação do grupo Dirty Mac, formado por John Lennon, Eric Clapton e Mitch Mitchell. Eles tocaram com maestria e emoção a canção Yer Blues dos Beatles. Uma obra de arte encontrada na mega-apresentação.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Vovôs de batom


Eles usavam maquiagem, salto alto, cabelões, roupas justas e estampas de oncinha. Mas eram heterossexuais, briguentos e tocavam um rock vigoroso, com um pé nos anos 50 e outro no punk que começava a nascer no underground americano. Formado pelo vocalista David Johansen, os guitarristas Johnny Thunders e Sylvain Sylvain, o baixista Arthur “Killer” Kane e o baterista Billy Murcia (que morreu em 1972 e foi substituído por Jerry Nolan), o New York Dolls surgiu em 1971 no circuito CBGB’s/ Max’s Kansas City, clubes de rock nova-iorquinos de onde saíram nomes como Iggy Pop & The Stooges, Patti Smith, Television.
De 1971 a 1974, a banda lançou dois discos (New York Dolls, que trazia as clássicas “Personality Crises” e “Looking for a Kiss”, e Too Much Too Soon), foi clicada pelas lentes de Bob Gruen e virou tema de documentário dirigido pelo fotógrafo.
Mas aí Malcom McLaren entrou na jogada. Figurinha que ficaria conhecida no mundo da música alguns anos depois, quando fabricou a lendária banda punk Sex Pistols, esse inglês era até então apenas o proprietário de uma loja de roupas casado com a estilista Vivienne Westwood. Numa viagem para Nova York, se encantou com a cena musical dos clubes de rock e decidiu ampliar seus negócios, tornando-se o empresário dos Dolls. Mistura de jogada de marketing e agitação política, McLaren decidiu que a partir de então eles trocariam as roupas femininas por trajes de vinil vermelho e passariam a se apresentar tendo uma bandeira comunista ao fundo. Essas idéias “brilhantes” somadas a desentendimentos internos por causa do abuso de drogas de alguns membros sepultaram o grupo.
Até que, em 2004, resolveram ressucitá-lo. Thunders e Nolan já haviam morrido e Kane faleceu logo após o primeiro show do revival, mas Johansen e Sylvain resolveram continuar a empreitada. Lançaram One Day It Will Please Us to Remember Even This em 2006 e saíram em turnê. A próxima parada das bonecas nova-iorquinas é em São Paulo, para uma apresentação dia 10 de abril no Hangar 110, com abertura dos Forgotten Boys e ingressos a 160 reais (!!!).
Toparia desembolsar essa pequena fortuna, mas, por incompatibilidade entre o horário do show e a hora que eu saio do trabalho, não poderei ir – aliás, um momento de indignação: como assim marcar show de rock pras oito da noite???
Por isso, peço ajuda de terceiros para responder a pergunta que não quer calar: David Johansen ainda consegue se equilibrar sobre saltos plataforma?

Enquanto isso, um pouco do velho New York Dolls:

 
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